Ana Luísa Amaral
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Qualquer coisa de intermédio
Eu não sou um nem outro:
     Sou qualquer coisa de intermédio
               M. de Sá-Carneiro

Se eu fosse o outro,
o do chapéu macio e do bigode
eternizado em cúbico arremedo, 
angústia dividida em tantas partes 
e óculos redondos, 
podia-te contar eu guardador e sonhos

Se eu fosse o outro,
o delicado e bêbedo génio de nós todos,
o que amou estranho e sabia dizer
coisas enormes numa pequena língua
e fraco império,
se eu fosse aquele inteiro
ditado de exageros e exclusões,
falava-te de tudo em ingleses versos

E mesmo se não foi ele quem disse
( e podia até ser, que eram amigos
e o século a nascer arrepiava como já não
o fim) há razão nessa história do pilar
e do tédio a escorrer de um
para o outro



Ana Luísa Amaral
Minha Senhora de Quê
 

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