Antero de Quental
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XV
Beber-te! como bebo o ar da vida...
E como bebo a luz do sol doirado...
E a poesia do templo consagrado...
E o consolo no olhar da mãe querida...

Como bebo nos livros do saber
A palavra dos Deuses, e o segredo
Da existência nas folhas do arvoredo...
E em longas noites de cruel sofrer...

Como bebe no cálix o Deus-vivo
Quem o não sente andar dentro de si...
Como eu nesses teus olhos já bebi 
A água que hei-de beber enquanto vivo! 



Antero de Quental
Primaveras Românticas
prefácio de 
Nuno Júdice
colares editora
 

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