David Mourão Ferreira
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A cavalo no vento
 

 

A cavalo no vento sobrevoo
o destino sombrio deste porto,
aonde um rio vem morder o vulto
do mar confuso.
                           Ó mar despedaçado,
mordido em tanto flanco, o sobressalto
dos teus ombros nervosos já sacode
a terra toda!

E para quê mais portos
agressores, estaleiros rancorosos,
onde em surdina e sombra se conspira
contra a vida. . .?

. . . Contra a vida do mar e o seu poder
que só um corpo nu deve merecer!



David Mourão Ferreira
Canto II
Os Quatro Cantos do Tempo
(1953-1958)
Obra Poética
1948-1988
4.º Edição
Editorial Presença
 

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