Helder Moura Pereira
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Directamente dos livros para o campo
Directamente dos livros para o campo.
O elogio da sinceridade, sincero
amor, tão sincero e tão duvidoso, tão
regular. Cai um motivo, um trovão 
e um susto de ciúme, para o poema ser 
verdadeiro e desenhar-te, com o sol
por trás, a terra toda cheia de terra.
Abria em leque: glicínia. Sobem alinhados
cheios de água: salgueiros. A cada
dia, de cada vez, tudo é obra de reconciliação.
É um retrato, é toda uma aventura
este momento, um pirilampo quieto,
carraça colada ao umbigo. Um telemóvel
apita na escuridão e tu vês, pirilampo,
tu vês a minha sombra. Não se ouve
este ribeiro nem sombras se ouvem
se parado o sinal que nos deu a fogueira,
se parado o leite que nos deu a figueira.



Helder Moura Pereira
Um Raio de Sol
Assírio & Alvim
2000
 

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