Helder Moura Pereira
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Este risco fundo a negroazul
Meu vento de luz, alegria
de folhas no rosto, estampas
na pele. Âncora que me desenham
entre os cabelos loiros
do antebraço, magia de um aparo
escrevendo mais
do que as palavras.
O mar é este azul
de sangue, os olhos
que o negam recuam
para um ombro cortando a linha
da montanha e o som
do barco recolhe a forma
da ilha. Onde mar e barco
se confundem é o meu vento,
nele se esconde o traço
da idade, o rosto
a recompor-se de passarem anos.
Por mim
nunca hás-de ter a paixão, sombra
que passas ao lado
do meu vento, eu saberei
distinguir. A tinta
transparente
faz o desenho, os raios
alteram as cores e por esquinas
se vai medindo o tempo
da luz, por vezes
o rito da noite traz a fadiga,
o tudo por tudo
do corpo, na palma da mão
começo a ver
o retrato, o parado andar
de quem ficou travado no vento
do mar e me vê como se eu fosse
a salvação de seus dias.
Temos algumas horas
por este final de maio
e depois nem a despedida
vamos conseguir. A minha vida
na cidade é este risco o
fundo a negroazul um pouco
a seguir ao cotovelo, por ele serei
capaz de imaginar
que me queres. Este mar
não vai parar na minha pele, este vento
começa a negar-me os olhos.



Helder Moura Pereira
 

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