Helder Moura Pereira
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Perto muito perto
Chego ao pé do limite, 
o corpo cansado 
traz as setas
do sono e a noite 
esconde a alegria. 
Onde tudo acontece
passam as imagens,
pressinto as nuvens
sobre os navios, o eco
de sons de aviso.
Como se inquieta
a cabeça tocando outra
na luz atravessada
de luzes. Chego à ponta
dos dedos, à esquina
da memória, adormeço, não
adormeço, canto
para adormecer.
Tudo parte de baixo
para a paisagem 
do tecto, alegro-me
porque não é preciso
falar. O que sentes 
está aí tão à vista
desaba sobre os olhos 
o falso espaço 
da casa. E a manhã
perde a luz
que só havia nas palavras.

             (Para não falar)



HELDER MOURA PEREIRA (1949)
Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea
Um Panorama
Organização de
Alberto da Costa e Silva
Alexei Bueno
Lacerda Editores
1999
 

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