Helder Moura Pereira
< voltar a Helder Moura Pereira

 

Preciso amar-te por isso digo fica esta
 Preciso amar-te por isso digo fica esta
 noite, depois os dias do nosso trabalho
 farão luz sobre o tempo. Tenho na cabeça
 a tempestade, tantas vezes recordo aquele
 corpo que não sabia do prazer que me dava,
 tantas vezes acordo e o seu nome quase 
 me escapa dos lábios, reconheço as feridas,
 os golpes todos, se lembro é porque quero
 esquecer. Fica esta noite, mais outra, o
 tempo que demora a cumprir a decisão de
 amar-te. E vamos fazendo o curso dos dias
 com algumas opiniões parecidas e ódios ás
 coisas culpadas. A gente que diz coisas 
 de silencio, os andaimes da cidade tapando
 saídas, as horas certas quando dizemos
 adeus. E que sentido têm estas lágrimas?
 Eu vivo neste ano e já me esqueço de mim,
 apenas vou precisar amar-te, depressa
 
 
 Venho de distribuir tarefas e de ouvir ferro
 contra ferro, o cheiro a tinta, barcos em
 areia artificial, útil mentira que me conto.
 Regresso à cidade de onde nunca soube partir,
 pelo caminho passam aos olhos os lugares de
 jogar á bola, ao berlinde, o quartel a que
 conseguiram que fugisse. Regresso e não sei
 se me esperam, alguma vez acreditei na
 felicidade? Não voltarei a falhar, os pesadelos
 que este corpo agita são meus também, as suas
 palavras têm menos peso que o murmurio do 
 prazer, vou dizer-lhe isto, deves acreditar,
 trago mais um disco, vamos a outra exposição,
 vamos dar as mãos junto ao mar. Não gosto
 da tarefa de ajudar a esquecer, preciso tanto
 amar-te, vou ajudar a esquecer.



 Helder Moura Pereira
 

< voltar a Helder Moura Pereira

^ Topo da página