Uma grande desgraça, dom, uma grande
desgraça, abandonado por toda a gente, o dom
compreende, pode ser amarguinha, a mim sabe-me
doce, mas depois recompus-me e tenho-me
divertido à grande e à francesa. A propósito,
ó dom, quem diabo seria a francesa? Vozes
Não quero Rosas
ouvidas, guitarras chorai, que eu tenho um fígado
que não há pai. Vão aos três quatro de uma vez,
metem medo e cheiram mal, de vez em quando
Não quero rosas desde que haja rosas
vai um a enterrar. Verdadeiras lágrimas salgadas, ó
Quero-as só quando não as possa haver
baía de cascais, quantos dos teus iates
Que hei-de fazer das coisas
matavam a fome em moçambiques e que tais?
Que qualquer mão pode colher?
Helder Moura Pereira
Um Raio de Sol
Assírio & Alvim
2000
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