Quando chego - o piano estala agoiro,
E medem-se os convivas logo, inquietos –
Alargam-se as paredes, sobem tectos -
Paira um luxo de Adaga em mão de Moiro.
Meu intento, porém, é todo loiro
E a cor de rosa, insinuando afectos.
Mas ninguém se me expande... Os meus dilectos
Frenesis ninguém brilha! Excesso de Oiro.
Meu Dislate a conventos longos orça.
Pra correr minha Zoina, aquém e além,
Só mística, de alada, esguia corça...
- Quem me convida mesmo não faz bem:
Intruso ainda – quando, à viva força,
A sua casa me levasse alguém.
Paris 30 Janeiro 1916
Mário de Sá-Carneiro
Poemas Completos
Edição Fernando Cabral Martins
Assírio & Alvim
2001
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